Santuário Nacional de Aparecida — a comemoração do dia 12 de outubro teve um tom marcado pela solidariedade e pela cobrança por políticas que atendam os mais vulneráveis, mas também refletiu a temperatura política do segundo turno. Milhares de peregrinos, romeiros e movimentos sociais transformaram a festa da padroeira em ato de acolhimento e reivindicação social.
Peregrinação e acolhimento na estrada
Uma das imagens centrais da jornada foi a caminhada de cerca de 170 quilômetros ao longo da Rodovia Presidente Dutra, entre a capital paulista e o Vale do Paraíba, que simbolizou sacrifício e propósito para muitos participantes.
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Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →O ativista Rodrigo Gonzalez, da Casa de Cultura Dona Albertina Vila Moraes, iniciou a peregrinação no quilômetro 231 da Dutra e percorreu aproximadamente 140 quilômetros até Pindamonhangaba, onde recebeu atendimento médico por bolhas nos pés antes de completar os últimos 30 quilômetros rumo à Basílica Nacional.
“Foi um desafio enorme, até agora nem sei de onde tiramos forças”, relatou um dos peregrinos após concluir a caminhada, destacando o acolhimento recebido nos pontos de apoio ao longo do percurso.
Missas, críticas ao armamentismo e o clima político
Na Basílica, a celebração teve também um tom de crítica social: o arcebispo de Aparecida defendeu uma “paz desarmada e desarmante” e condenou a indiferença diante da fome, da violência e da devastação ambiental durante a homilia.
Organizações como a Comissão Pastoral da Terra resgataram a origem popular da devoção — lembrando que a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada por pescadores artesanais em 1717 — e enfatizaram a missão profética de proteger os mais fragilizados e denunciar estruturas que perpetuam a desigualdade.
Apesar de registros de tensão na entrada da basílica, quando apoiadores de diferentes candidaturas trocaram vaias, a maioria dos peregrinos circulou livremente, e diversos pontos de apoio ofereceram acolhimento sem julgar posicionamentos políticos. Para acompanhar desdobramentos sobre o debate público em torno dessas manifestações, acesse nossa editoria.
Foto: Divulgação
O que você acha? Você acha que manifestações religiosas devem servir como espaço de cobrança por políticas sociais? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.
Perguntas Frequentes
O que aconteceu na celebração em Aparecida no dia 12 de outubro?
Na celebração em Aparecida no dia 12 de outubro, milhares de fiéis lotaram o Santuário Nacional de Aparecida, com peregrinos vindo a pé — inclusive trajetos de cerca de 170 quilômetros pela Rodovia Presidente Dutra — e lideranças religiosas transformando a devoção em apelo por justiça social e acolhimento dos mais pobres.
Quem proferiu a defesa por uma "paz desarmada" durante a missa em Aparecida?
O arcebispo do Santuário Nacional de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, foi quem defendeu a construção de uma “paz desarmada e desarmante” na homilia, criticando a disseminação de armamentos e conclamando os fiéis a combater a indiferença diante da fome e da destruição da natureza.
Houve conflitos entre apoiadores políticos durante a romaria a pé até Aparecida?
Registros apontaram episódios pontuais de atrito na entrada do templo entre militantes pró-Lula e apoiadores do senador Flávio Bolsonaro, com vaias e protestos, mas a celebração em si permaneceu majoritariamente pacífica, segundo relatos de agentes de pastoral e participantes que circularam pelo Vale do Paraíba.
Rafael Menezes