Flávio Bolsonaro — o episódio revela um encontro entre poder político e atores privados no auge da pandemia, com consequências que chegaram a investigações oficiais. A imagem de um passeio de lancha no Lago Paranoá, em plena crise sanitária, contrasta com os dados de mortalidade e aparece vinculada a nomes centrais das negociações da vacina Covaxin.
O encontro e as pessoas presentes
O passeio ocorreu em 17 de julho de 2020, quando o Brasil registrou 1.110 mortes por covid-19 naquele dia. Empresários identificados como Danilo Trento e Francisco Maximiano bancaram o evento; ambos têm ligações com a Precisa Medicamentos, empresa que dizia representar a fabricante da Covaxin.
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Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →O grupo teria viajado de São Paulo em um jato executivo na noite anterior. Três garotas de programa foram levadas de São Paulo para a embarcação, e o senador desembarcou acompanhado do amigo e então sócio Alexandre Santini. No fim do passeio, um dos organizadores colocou no pulso do senador um relógio Rolex que passou a ser usado por ele.
"batalhado para que fosse economizado dinheiro público"
Implicações políticas e documentos relacionados
O episódio integra um conjunto de provas e registros citados em investigações: há referências a quebras de sigilo, registros de voo e comunicações encaminhadas a comissões parlamentares de inquérito. O contrato da Covaxin previsto com o Ministério da Saúde previa R$ 80 por dose, contra R$ 56,30 oferecidos pela Pfizer e R$ 18 pela AstraZeneca; o acordo acabou cancelado antes de qualquer pagamento.
O relatório final da CPI da Pandemia recomendou o indiciamento de 78 pessoas, entre elas Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano. Também consta nas apurações a intervenção que abriu caminho para uma reunião virtual entre Maximiano e o então presidente do BNDES, Gustavo Montezano; o banco informou que nenhum financiamento foi contratado.
Há ainda registros de episódios anteriores envolvendo a presença de relógios de alto valor associados ao senador, como um Rolex Submariner Date avaliado em R$ 305 mil. Nas checagens que compõem a reconstituição do caso aparecem pilotos, um ex-deputado e assessores parlamentares, além de documentos encaminhados às CPIs e ao INSS.
Em paralelo às peças documentais, foram relatadas tentativas de contato com alguns envolvidos: um dos organizadores teria interrompido conversas depois de informado sobre a apuração, e não constam respostas públicas dos advogados de determinados citados; tampouco há, nas informações levantadas, manifestação pública do senador a respeito do episódio.
Foto: Divulgação
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Perguntas Frequentes
Em que data Flávio Bolsonaro participou do passeio de lancha no Lago Paranoá e quem organizou o encontro?
O passeio envolvendo Flávio Bolsonaro aconteceu em 17 de julho de 2020, no Lago Paranoá, em Brasília. O encontro foi bancado por Danilo Trento e Francisco Maximiano, ligados à Precisa Medicamentos; o grupo viajou de São Paulo e três garotas de programa teriam sido levadas para a embarcação. Naquele dia o Brasil registrou 1.110 mortes por covid-19.
Qual a ligação entre o passeio e as negociações da vacina Covaxin envolvendo Flávio Bolsonaro?
O passeio que envolve Flávio Bolsonaro ocorreu com empresários que atuavam nas tratativas da Covaxin, como Danilo Trento e Francisco Maximiano, da Precisa Medicamentos. O contrato da Covaxin com o Ministério da Saúde previa R$ 80 por dose, valor superior às propostas da Pfizer (R$ 56,30) e da AstraZeneca (R$ 18), e foi cancelado antes de pagamentos.
Quais desdobramentos oficiais existem sobre o caso que cita Flávio Bolsonaro e a Covaxin?
O relatório final da CPI da Pandemia incluiu Flávio Bolsonaro entre as 78 pessoas recomendadas para indiciamento. Nas investigações constam quebras de sigilo, registros de voo e a participação em reunião virtual com o então presidente do BNDES, Gustavo Montezano; o BNDES informou que nenhum financiamento foi contratado e o contrato da Covaxin foi cancelado.
Leticia Rodrigues