Big techs — um monitoramento acadêmico identificou anúncios pagos e recomendações de conteúdos de candidatos circulando durante o intervalo em que a propaganda eleitoral deveria estar suspensa, com impacto direto na integridade do processo e na capacidade de fiscalização antes e no dia da votação.
Anúncios e recomendações que violaram o período de silêncio
O levantamento do Observatório das Big Techs, conduzido pelo NetLab da UFRJ, detectou 568 anúncios classificados como irregulares nas plataformas da Meta, incluindo Instagram, Facebook e outras interfaces associadas. Seis desses anúncios simulavam comunicações do Tribunal Superior Eleitoral e direcionavam usuários a sites que chegaram a pedir CPF para suposta votação remota — informação falsa.
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Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →No Kwai, o monitoramento encontrou 18 anúncios ativos no dia da votação e quatro classificados como “em pausa”, dos quais três haviam circulado no período de resguardo entre 1º e 3 de outubro. O relatório também aponta 45 anúncios cuja data final foi estendida até o dia da votação, vinculados a dez páginas de candidatura.
“No TikTok, proteger a integridade do ambiente digital durante as eleições é uma prioridade. Acreditamos que esse é um desafio que exige colaboração entre plataformas, autoridades e sociedade. Seguimos trabalhando em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral e cumprindo a legislação e as resoluções eleitorais aplicáveis. Entre junho e setembro de 2026, removemos 348.963 vídeos no Brasil por violarem nossas políticas de Integridade Cívica e Eleitoral, desinformação e conteúdos enganosos gerados por IA.”
Lacunas de transparência e limites da fiscalização
O estudo usou buscas manuais e computacionais em bibliotecas de anúncios e APIs para mapear irregularidades, mas encontrou divergências que impedem confirmação plena: na Meta havia anúncios marcados como “inativos” na interface que ainda apareciam em listagens ativas obtidas via programação; no Kwai, os arquivos exportados não batiam com o que a biblioteca mostrava.
Além disso, o monitoramento listou um anúncio identificado no Google em 3 de outubro que permaneceu ativo de forma irregular. Nos mecanismos de recomendação, entre 3 e 4 de outubro foram recomendados 18 vídeos de sete candidatos pelo TikTok e 17 vídeos de seis candidatos pelo YouTube; no Instagram não foram observadas recomendações de vídeos de candidatos nesse período.
O que você acha? Você acha que as plataformas agiram com transparência suficiente durante o período eleitoral? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.
Foto: Divulgação
Perguntas Frequentes
O que o levantamento do Observatório das Big Techs encontrou sobre anúncios no dia da votação?
O estudo do Observatório das Big Techs, do NetLab da UFRJ, identificou anúncios e recomendações ativos entre 3 e 4 de outubro, incluindo 568 peças irregulares na infraestrutura da Meta e incidentes no Kwai e Google, além de recomendações pelo TikTok e YouTube que expuseram conteúdos de candidatos no período em que a propaganda deveria estar suspensa.
De que forma as regras do Tribunal Superior Eleitoral foram desrespeitadas pelas plataformas?
As regras do Tribunal Superior Eleitoral proíbem circulação paga de propaganda de 48 horas antes até 24 horas depois da eleição; o levantamento aponta que anúncios permaneceram ativos nesse intervalo — por exemplo, anúncios do Kwai com datas estendidas até o dia da votação e ao menos um anúncio do Google identificado em 3 de outubro que continuou ativo.
Quais limitações dificultaram a responsabilização das plataformas?
O relatório do NetLab destacou que as plataformas apresentam inconsistências nas bibliotecas de anúncios e APIs, como divergências entre dados exibidos na interface e arquivos exportados; essa falta de transparência ocorreu especialmente na Meta e no Kwai, tornando mais difícil auditar e comprovar a extensão das violações.
Dimitri Lares