Polícia Militar de Pernambuco — a sequência de detenções de apoiadores da campanha de reeleição registrada nas semanas do 2º turno elevou o alerta sobre o uso da força em manifestações políticas e levou juristas a pedir intervenção do Ministério Público estadual.
Operações em Recife e no Agreste somam 18 detidos
Na manhã de um sábado, policiais do 11º BPM abordaram quatro universitários de 22 a 24 anos em Casa Amarela, zona norte do Recife, enquanto colavam cartazes — os chamados "lambes" — com críticas ao candidato Flávio Bolsonaro.
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Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →Em Gravatá, no Agreste, outras 14 pessoas foram detidas pela Polícia Militar sob a mesma acusação, totalizando ao menos 18 presos relacionados a essas ações de rua durante o 2º turno. Alguns foram encaminhados à Polícia Civil; em outra ocorrência, indivíduos chegaram a ser levados à Polícia Federal, que considerou um caso atípico e liberou os jovens.
“Temos que evitar a proliferação de casos de violência policial nas abordagens. Já tivemos alguns. Colar ‘lambes’ não é crime, mas ainda se fosse, não há necessidade de violência contra pessoas que não estão oferecendo qualquer tipo de resistência.” — Tereza Mansi, conselheira da OAB Pernambuco
Juristas entregam representação ao MPPE e pedem recomendações
Um grupo de juristas pernambucanos protocolou representação no Ministério Público de Pernambuco (MPPE) solicitando que o órgão recomende mudanças nos protocolos de abordagem policial para evitar detenções irregulares, uso desproporcional da força e constrangimentos durante panfletagens, passeatas e comícios.
A representação, elaborada pela advogada Tereza Mansi, com apoio de Nara Fonseca, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da OAB Pernambuco, também prevê tentativa de entrega do documento à governadora Raquel Lyra para que as forças policiais revejam procedimentos sem interferir no processo eleitoral.
Há ainda enquadramento administrativo a considerar: a Lei Municipal nº 18.886/2021 do Recife disciplina a veiculação de anúncios e prevê apreensão do material, remoção do anúncio, advertência e multa em casos de colagem não autorizada — sem, contudo, transformar automaticamente a colagem de "lambes" em crime penal.
Foto: Divulgação
O que você acha? Você considera que essas detenções configuram excesso por parte da Polícia Militar de Pernambuco ou são ações previstas em lei? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.
Perguntas Frequentes
Quantas pessoas a Polícia Militar de Pernambuco prendeu nas ações relacionadas a panfletagens no 2º turno?
A Polícia Militar de Pernambuco prendeu ao menos 18 pessoas nas ações vinculadas a panfletagens durante o 2º turno, segundo registros das ocorrências. As detenções ocorreram em diferentes cidades, com quatro estudantes detidos em Casa Amarela, Recife, e 14 pessoas encaminhadas em Gravatá, no Agreste.
Por que os estudantes foram detidos em Casa Amarela e o que ocorreu com eles?
Os estudantes foram detidos por estarem afixando cartazes críticos a Flávio Bolsonaro em Casa Amarela; eles tinham entre 22 e 24 anos. Em uma das ocorrências, dois veículos da polícia os levaram à Polícia Federal, que liberou os jovens após considerar o caso atípico e arquivar a ocorrência.
O que pedem os juristas na representação protocolada no MPPE contra excessos policiais?
A representação entregue ao MPPE solicita recomendações para coibir abordagens truculentas, detenções irregulares e uso desproporcional da força durante panfletagens e manifestações, citando a necessidade de revisão de protocolos de atuação policial; o documento foi redigido por advogados da OAB Pernambuco.
Thiago Nogueira