Bispos católicos — uma carta pública assinada por 35 bispos de diversas dioceses do país afirma que a candidatura de Flávio Bolsonaro traz riscos institucionais e contradições com a Doutrina Social da Igreja. O tom do documento é de alerta: os signatários listam impactos práticos sobre democracia, soberania e políticas públicas que podem afetar vidas e direitos se as tendências apontadas se concretizarem.
Alerta sobre democracia e soberania
A carta descreve a candidatura de Flávio Bolsonaro como incompatível com vários princípios da Doutrina Social da Igreja, apontando perigo à "existência da democracia" e à prática do bem comum. O texto lembra episódios considerados ameaças à ordem constitucional e indica que, com maioria no Congresso e no STF, haveria condições para mudanças profundas na estrutura do Estado.
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Tabela do Brasileirão 2026: classificação atualizadaVer classificação, artilharia e próximos jogos →O documento também critica propostas que, segundo os signatários, podem implicar submissão a potências estrangeiras e entrega de recursos estratégicos. Entre as referências político-institucionais, a carta menciona como preocupantes declarações e ações atribuídas ao candidato ao longo da campanha.
"A candidatura ... ameaça frontalmente diversos pontos centrais da Doutrina Social da Igreja, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum."
Sete pontos de conflito e exemplos concretos
O texto lista sete áreas de confronto entre a candidatura e os ensinamentos da Igreja. No campo do trabalho, os bispos apontam que a postura do candidato contraria a dignidade do trabalhador ao defender retrocessos como o fim da escala 6×1 e a adoção do pagamento por hora trabalhada.
Sobre soberania, a carta acusa o candidato de prometer submissão aos Estados Unidos, de apoiar intervenções estrangeiras nas eleições e de favorecer a exploração de terras raras por interesses externos. Na agenda social, os signatários ressaltam que o partido do candidato historicamente foi contra programas de combate à pobreza, ainda que o candidato tenha declarado manter parte dessas políticas.
A carta critica também a proposta de ampliar o acesso a armas — ligada a um histórico de governo anterior — e aponta negação da crise climática e continuidade de políticas ambientais nocivas; o texto cita a lei de licenciamento ambiental aprovada em 2025, chamada pelos bispos de "Lei da Devastação". Em direitos humanos, o documento afirma que o candidato é "publicamente favorável à tortura" e lembra menções da família a figuras ligadas à repressão da ditadura.
Os signatários afirmam estar em comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e alinhados a uma mensagem institucional que defende a Constituição e o respeito às urnas, mas deixam claro que a carta é uma iniciativa dos bispos que a assinam, não um documento oficial daquela entidade.
Foto: Divulgação
Entre os nomes que assinam o texto estão dom José Ionilton Lisboa de Oliveira (presidente da Comissão Pastoral da Terra), os arcebispos dom Roque Paloschi (Porto Velho), dom Zanoni Demettino Castro (Feira de Santana) e dom Paulo Mendes Peixoto (Uberaba), além de bispos de todas as regiões do país.
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Perguntas Frequentes
O que diz a carta assinada por 35 bispos sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro?
A carta assinada por 35 bispos afirma que a candidatura de Flávio Bolsonaro "ameaça frontalmente diversos pontos centrais" da Doutrina Social da Igreja e lista sete pontos de conflito, citando riscos à democracia, à soberania nacional e à prática do bem comum no contexto do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Quais são os principais pontos criticados na carta em relação a propostas de governo?
A carta identifica, entre os sete pontos de conflito, críticas a propostas trabalhistas (fim da escala 6×1 e pagamento por hora), à política ambiental (citação da "Lei da Devastação" de 2025), à ampliação do acesso a armas e a posições sobre soberania que mencionam submissão aos Estados Unidos e entrega de terras raras.
Quem assinou a carta e ela representa a posição oficial da CNBB?
A carta foi assinada por 35 bispos de dioceses da Amazônia, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul, incluindo dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, dom Roque Paloschi, dom Zanoni Demettino Castro e dom Paulo Mendes Peixoto; o texto esclarece que é uma iniciativa dos signatários e não um documento oficial da CNBB, ainda que declare comunhão com a entidade.
Marcos Antonio